VIDA APÓS A VIDA EM SALA DE AULA

VIDA APÓS A VIDA EM SALA DE AULA

Lewis Stafford Betty, doutor em Teologia e professor de Estudos Religiosos da California State University, situada em Bakersfield, no Estado da Califórnia, Estados Unidos, não é o estereótipo de profissional que se espera para esse curso. Isso porque ele vai mais além em sua metodologia, ampliando os conceitos teológicos ensinados para mediunidade, experiências de quase-morte, estudos de casos de regressão de memória e visões no leito de morte, entre outros fenômenos já conhecidos pelo meio espírita. Inevitável, portanto, que esses temas levem a seus alunos a continuidade da vida após a vida.

De acordo com o professor, esse assunto parece estar envolvido em uma aura de descrédito. E ainda continua: “Podemos falar de Deus, podemos falar de ética durante todo o dia, mas o assunto que deveria nos preocupar mais – porque todo o resto cabe em última instância nele – está fora dos limites entre os assuntos religiosos abordados na universidade. Tenho a sensação de que a fé na vida após a morte é certa, e não falar sobre isso não é admissível. É repugnante! Por que isso?”, questiona Lewis Betty, que levou os temas apresentados em sala de aula para o livro The Afterlife Unveiled, lançado apenas em língua inglesa.

O professor Betty acredita que o motivo desse silêncio sobre o assunto recaia nas próprias pessoas que se julgam espertas e bem informadas, principalmente em universidades tradicionais, com pressupostos materialistas da ciência física sobre quase tudo. “E como o pós-vida é algo imaterial, ao menos do modo que a ciência entende a matéria, meus colegas são relutantes em admitir que acreditam nessa hipótese, ainda que realmente o façam. Entre eles, há dois católicos no Departamento de Biologia, um deles meu amigo de longa data. Ele desvia do assunto quando questionam se ele é um homem de fé e, na verdade, sugere que não é. Esse é um homem que ama sua religião, mas ele tem medo de admitir isso. Ele não quer parecer um idiota. Ele não quer ter má reputação.”

Ao blog de White Crow Books http://whitecrowbooks.com/michaeltymn/, ele deu a entrevista abaixo, que reproduzimos:

Professor Betty, o que o motivou a escrever o seu livro sobre o após a vida?

Como professor, eu gosto de conscientizar as pessoas sobre os fatos importantes de suas existências, especialmente os fatos mais positivos, com tendência a produzir felicidade. Há poucos fatos mais positivos, ao menos para mim e para a maioria das pessoas que conheço, do que a sobrevivência após a morte, seguida por uma positiva experiência de pós-vida. Isso com certeza é boa-nova e eu escrevi o livro para compartilhar isso com o leitor. Essa foi minha motivação primeira.

Mas há uma segunda razão. Eu olhava em volta e via a sociedade – especialmente os mais jovens – com falta de perspectiva. “Apenas vagando” pode ser uma expressão para definir incontáveis americanos. Não lhes ocorre que o correto não é se perguntar “o que eu posso tirar desta vida?”, mas “o que a vida espera de mim?” ou “o que posso dar à minha vida?”. O hábito de dar não é fácil. Para se tornar um doador é preciso um incentivo. A perspectiva de uma vida única não nos dá esse incentivo. Pelo contrário, é até sedutora a ideia de que podemos ter e fazer tudo o que quisermos agora, pois esta é a única chance que teremos. Adiar a gratificação? Por que deveríamos? Mentir e trapacear para chegar à frente? Por que não, já que não há responsabilização cósmica? O que há para nos parar, contanto que tenhamos cuidado para não sermos pegos em flagrante? Daí nós nos tornamos hedonistas, por vezes cruéis egoístas.

Uma plausível crença no após vida com ênfase na responsabilidade é uma das chaves para reorganizar nossas atitudes perante a vida. E minha pesquisa aponta que somos responsáveis por tudo que falamos, fazemos e até pensamos. Então, já estava na hora de fazer essas boas-novas públicas. Consequentemente, o livro. Há outras razões, mas essas duas são as principais.

Por que você acha que as religiões ortodoxas são tão contrárias em aceitar os ensinamentos sobre a mediunidade, experiências de quase-morte, regressão a vidas passadas e outros fenômenos?

Se o após vida descrito no meu livro tornar-se universalmente aceito, as escrituras estariam desacreditadas. O céu e o inferno da Bíblia não podem competir com o bem descrito e plausível mundo dos espíritos, que sabem do que estão falando, por existir. Pastores, padres e rabinos trabalharam muito para ter o direito de professar suas realidades e não querem, de repente, perder essa “licença” para autoridades invisíveis, com as quais não podem competir.

Você usará seus livros em suas aulas?

Eu já programei o livro para o uso em Introdução à Religião, turma que começa em setembro, e estou usando uma seção do livro neste trimestre na turma sobre Significado da Morte. Eu não sei como fluirá com os calouros, mas quero descobrir. Acredito que adorem, afinal, assim como nós, também são curiosos por saber o que virá após a morte. Principalmente quando relembrados que, não importa quão jovens sejam, um dia eles também irão morrer. E muitos já têm amigos ou parentes que já faleceram, inclusive por suicídio.

Você enfrenta resistência por parte da administração da universidade ou de seus colegas pelos seus ensinamentos?

O antigo reitor admitiu, após pressionar um pouco, que ele e outros administradores julgavam meus interesses um pouco irreais. Da parte de meus colegas, alguns se sentem embaraçados pelo que eu ensino, mas surpresos pelo meu sucesso como autor. Às vezes, até publico artigos em periódicos que eles mesmos aprovam.

O seu outro livro, Meaning of Death (Significado da Morte), foi bem popular entre seus alunos há alguns anos. Continua a ter a mesma popularidade?

Sim. Estou lecionando para 50 alunos, em uma classe em que o limite é 55.

Em poucas palavras, o que é o Meaning of Death? Como você o compreende?

Eu pensei muito sobre esta questão e, resumindo, acredito que a morte foi criada por uma Força (Deus, se você preferir) como um significado, talvez o melhor deles, para trazer à tona a nossa nobreza de caráter. Vamos começar com uma analogia: o que esperamos de nossos filhos? Boa aparência, inteligência, popularidade, riqueza, poder, alegrias? Não há nada de errado nisso, mas é o que nós mais queremos? Não, se formos sábios. O que nós mais queremos, ou deveríamos querer, é a nobreza de caráter, hábitos virtuosos e bondade. Outro modo de colocar isso: o que nós admiramos nos outros? A resposta deveria ser a mesma. Assim, o que Deus espera de nós, seus filhos terrestres? O mesmo! Mas a nobreza de caráter não vem de graça. Se não formos moralmente desafiados, não crescemos. Assim como crianças mimadas, não amadurecemos. Então, Ele nos desafia continuamente. E nós experimentamos e aprendemos o que funciona e o que não funciona, o que nos traz prazer e o que rejeitamos, o que conta como sensibilidade e o que é crueldade, o que nos mantém vivos e o que nos mata.

Deus tem o mundo projetado para ser uma escola moral. Somos espíritos em treinamento. Alguns atletas preferem jogar contra as equipes as quais podem vencer, outros preferem uma competição mais acirrada. E, se formos inteligentes, por que não aceitar “a forte concorrência” – a rejeição de quem amamos, a competição no local de trabalho ou o câncer que pode vir como uma sentença de morte – e lutar! Acreditando em Deus, nós temos em mente que, quanto maior o sofrimento, maior o potencial de crescimento. Deus nos deu um mundo cheio de perigos físicos e desafios morais onde vivemos sob a constante ameaça da morte. E Ele espera que nós usemos nossa liberdade para escolher o bom ao invés do mau, e fazê-lo constantemente, vencendo as tentações. Ao fazer isso, trazemos valores, excelência e alegrias para o Universo. E é isso o que Deus quer. E o que devemos querer também!

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A entrevista completa com o professor Betty (em inglês) pode ser acessada no site: http://whitecrowbooks.com/michaeltymn/entry/professor_dares_to_discuss_life_after_death_in_his_classes/

Giovana Campos

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Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
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