EQM – EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE

 

EQM – EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE

Uma experiência extrema, de quase morte, muda a vida das pessoas para sempre e contagia até quem nunca passou por isso. É quase impossível ficar indiferente depois de ouvir o relato de quem visitou a fronteira entre a vida e a morte. O coração parado, o cérebro sem oxigênio. Na hora da morte, o corpo é como uma máquina desligada. Pelo menos é o que estamos acostumados a ver do lado de fora.

Brasileiros que quase morreram contam ter visto luzes e até Jesus

O tempo passou, mas não apagou nenhum detalhe da Experiência de Quase Morte (EQM) da professora Rita Isabel Rohr. O que ela passou durante o parto da filha ainda é muito vivo. Foi 32 anos atrás, como se fosse ontem.

“Eu me ergui e fui puxada por essa luz”, descreve a professora. “Tinha um túnel, bem longe, e aquela luz me puxava. Era uma luz tipo um sol, não era uma luz qualquer, era uma luz muito forte, que soltava raios para tudo que era lado, e tinha muita força aquela luz. Eu cheguei no fim do túnel, e atrás da luz tinha um espaço muito grande, com uma luminosidade tão estranha, tão bonita, que não dá para explicar. Eu não consigo comparar com uma coisa bonita que tem aqui na Terra hoje para dizer como era bonito lá.”

“Não tinha ninguém infeliz. Estava mundo andando, conversando, aparentemente conversando”, acrescenta Rita. “Eu não ouvia nada, mas era como se fosse um lugar, como é que eu vou explicar? Não vou dizer Paraíso porque eu não sei, mas uma coisa assim, porque o paraíso para a gente é aquele lugar lindo que você quer ficar para sempre. E atrás daquela luz, então, é que saiu aquela voz que disse que era para eu voltar, que não era hora de eu ir, porque eu tinha filhos para criar. Ao mesmo tempo, quando essa voz parou de falar, esse ímã que me puxou me empurrou de volta. Do jeito que eu saí daquele corpo, da massa-corpo que ficou, eu voltei para dentro.”

Foi um parto de muito risco. Rita caiu da escada no oitavo mês de gravidez. O bebê precisava ser retirado com fórceps, mas a mãe não queria. A hemorragia se agravou tanto que ela chegou a morrer, como contou depois a enfermeira que fazia parte da equipe médica.

“Ela começou a contar isso para mim. Que eu tinha morrido, que eles achavam que eu tinha morrido, que eu fiquei sem pulso e que eles começaram a trabalhar em mim para ver se eu voltava de novo. Aí eu comecei a viver, a ter vida de novo, a reagir, e aí que eu comecei a pensar: ‘então eu fui, eu realmente morri’, quer dizer, semimorri”, destaca a professora. “Fui até lá. Fui até lá. É muito bom morrer, se é assim, é muito bom. Se for assim, tranquilo”, ri.

Até hoje esse era um segredo, revelado agora não só para a família e os amigos de Santa Rosa, a cidade onde Rita mora no interior do Rio Grande do Sul. Mas aos 63 anos ela acha que não precisa mais se preocupar com o que os outros vão pensar.

“Os detalhes eu não conhecia. Os detalhes eu não tinha conhecimento até hoje”, ri o professor José Albino Rohr. “Agora estou sabendo detalhadamente.”

“E por que você vai contar? O que as pessoas iam pensar?”, indaga Rita. “Ninguém ia acreditar em mim. Ou iam achar que eu estava delirando, viajando na maionese ou tendo alucinações. Porque há 30 anos não se contava essas coisas, mesmo porque as mães ensinavam a gente que esse tipo de coisa não se contava. Nem para mãe eu não contei.”

Hoje, Rita fica emocionada quando conta a história. “Finalmente alguém me ouviu. Finalmente eu consegui contar. Porque se realmente existe isso, que eu acredito firmemente que existe uma vida após a morte, depois do que eu vi… Não sei como é, mas deve ser muito bonito. Isso eu consegui ver lá.”

A balconista Cristina de Paula, da padaria em Areal, Região Serrana do Rio, também acredita que a vida não termina quando morremos. A certeza veio depois de três Experiências de Quase Morte. Portadora de arritmia maligna, uma doença congênita no coração, ela passou dez anos enfrentando, quase todos os dias, uma parada cardiorrespiratória.

“O coração disparava muito, até parar. Aí eu não via mais nada. Meu marido ia me socorrer, aí dizia para mim que quando colocava o ouvido no meu peito ele não sentia o meu coração, só sentia o ruído. Logo após ele voltava a bater com tanta força que me dava até dor de cabeça”, relata Cristina.

A filha Jasmin nasceu com o mesmo problema, mas toma remédios desde pequena e tem a doença sob controle. “O médico só proibiu ela de exercício físico. De jeito nenhum. Nada no colégio ela pode fazer”, explica Cristina.

Cristina, ao contrário, foi atormentada pelo risco de morte súbita dos 25 aos 35 anos, até colocar no peito um desfibrilador. “Nem é bom lembrar”, se emociona. “Eu tinha muito medo de morrer. Só Deus sabe o meu medo. Acho que quanto mais eu tinha medo, mais piorava a situação.”

Não é para menos. A arritmia tirou a vida de 11 parentes, incluindo uma irmã, que teve morte súbita aos 3 anos.

“Eu já tinha perdido uma e não queria perder a outra”, diz emocionada a aposentada Maria da Conceição Rúbio, mãe de Cristina. “Eu chorei muito.”

Em dois momentos diferentes durante as crises, Cristina diz que esteve em um lugar nada agradável. Uma EQM diferente do relato da maioria das pessoas que passam por isso. “Eu vi sombras, vultos, pessoas, em um lugar sujo, como se fosse um filme de pesadelo. Foi uma experiência ruim, muito ruim mesmo. Uma sensação de morte. Não gosto de lembrar.”

Mas a vida mudou da noite para o dia quando Cristina chegou aos 30 anos. Na cirurgia para colocar o desfribilador, ela viu e sentiu a presença de alguém muito especial. “Um homem de branco, de túnica, cabelos compridos. Ele passou por detrás dos médicos. Ele não me disse nada, só sorriu. Não deu aquele sorriso todo, só o olhar dele me disse assim: ‘não se preocupe que eu estou aqui contigo’. Para mim ele é Jesus, com certeza. Foi uma paz muito grande que eu senti quando eu vi, muito grande mesmo, não dá nem para descrever. Eu sabia que, naquele momento, acontecesse o que fosse acontecer comigo, ele estaria ali comigo.”

Encontros emocionantes fazem parte das Experiências de Quase Morte, mas não aparecem em todos os relatos. O que está presente na grande maioria das histórias é a sensação de absoluto bem estar. Ela é a mesma para todos os que vão até a fronteira entre a vida e a morte e voltam para contar a história.

Para o arquiteto Edval Paletta, a lembrança da conversa que teve com a mãe sempre acaba em choro. Ela estava morta havia três anos e ele, inconsciente, intoxicado com o gás do chuveiro.

“Eu entrei em um túnel maravilhoso. O piso era como se tivesse uma plantação de trigo, verde, e um odor daquela planta, a dama da noite”, detalha Edval. “Eu fui caminhando em direção a uma névoa azul nesse túnel. Do lado esquerdo parecia que tinha um grupo de pessoas que você não conseguia reconhecer. Minha mãe saiu desse grupo de pessoas. Veio ao meu encontro e começou a falar: ‘você tem que ir embora que aqui não é o seu lugar’. E eu: ‘mãe, isso aqui é maravilhoso. Eu vou ficar por aqui, eu não quero voltar’. Ela insistiu algumas vezes: ‘calma’. Até que uma hora – ela é tipo aquelas italianas brabas – disse: ‘você volta que você tem um filho para criar, não é o seu lugar aqui, você volta imediatamente!’”

“Eu estava relutante em obedecer, mas ela foi tão incisiva que eu falei: ‘bom, se eu não voltar eu apanho aqui. Vai ficar ruim o negócio’”, se diverte o arquiteto.

Enquanto isso, a mulher e os vizinhos tentavam de tudo para reanimar o corpo de Edval. “Eles precisaram arrombar a porta para me tirar de dentro, e tudo isso que aconteceu, eu via como se estivesse de cima, como se não existissem paredes aqui. Eu vi a hora que o pessoal me tirou de dentro do box e me levou para a cama. Eu vi meu corpo. Eles estavam tentando a reanimação em cima da cama.”

Depois de 28 anos, com o prazer de ter criado dois filhos, Edval agradece todos os dias por ter voltado – porque se dependesse só do bem estar que sentiu no túnel…

“Se morrer for aquilo, é muito bom. Você vai passar para um lugar muito legal. A sensação de paz que se tinha era maravilhosa. Não é essa loucura que tem aqui”, define.

Essa “loucura” era a rotina do delegado Fernando Gomes Pires até o ano 2000, quando foi substituir um colega no plantão e acabou virando notícia. “Era o último dia das minhas férias quando aconteceu os fatos”, diz o delegado Nelson Caneloi.

Houve um tiroteio e o delegado substituto foi atingido pelas costas.

“Nesse instante eu percebi que comecei a me ver por cima, lançado paro alto”, diz Fernando. “Como se tivesse um foco de luz atrás de mim, como se fosse uma luz de teatro em volta do meu corpo. E eu me vendo lá, parado, do alto, imóvel. Não mexia nada. Eu fiquei ali me observando. A luz era forte, branca. Passava por trás de mim e eu achei interessante, porque ela só projetava o meu corpo lá no chão. Como eu não conseguia me mexer, eu fiquei olhando para aquilo. Eu pensei: ‘eu acho que eu vou morrer.’”

A bala que perfurou um pulmão e uma costela marcou definitivamente a vida do delegado. “Para começar, eu fumava quatro maços de cigarro por dia. Parei de fumar. Eu ligo menos para os problemas da vida. Problemas da vida hoje em dia já não me atingem tanto. Eu acho que tudo passa”, sorri o delegado. “Hoje em dia eu acredito na recuperação do ser humano. Muitas vezes eu não acreditava antes, achava que aquela pessoa que fez isso não tinha recuperação. Hoje em dia, não. Eu acho que tem, sim. Todo mundo tem que ter chance, todo mundo tem recuperação. Essa EQM foi uma coisa boa que aconteceu na minha vida. Eu sinto essa luz, ela me acompanha até hoje. Não que ela brilhe, mas eu sinto uma segurança. Quando às vezes eu estou em algum momento, eu penso nela e peço um auxílio, e acabo vindo. Sempre acaba vindo um auxílio, uma saída. Eu me sinto protegido.”

Fonte: Gazetaweb.com

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Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
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