O ELOGIO DA ABELHA

 

O  ELOGIO  DA  ABELHA

 

Neio Lúcio

(Francisco Cândido Xavier)

Grande mosca verde-azul, mostrando envaidecida as asas douradas pelo Sol, penetrou uma sala e encontrou uma abelha humilde a carregar pequena provisão de recursos para elaborar o mel.
A mosca arrogante aproximou-se e falou, vaidosa:
– Onde surges, todos fogem. Não te sentes indesejável? Teu aguilhão é terrível.
– Sim – disse a abelha com desapontamento -, creia que sofro muitíssimo quando sou obrigada a interferir. Minha defesa é, quase sempre, também a minha morte.
– Mas não podes viver com mais distinção e delicadeza? – tornou a mosca – por que ferroar, a torto e a direito?
– Não, minha amiga – esclareceu a interlocutora -, não é bem assim. Não sinto prazer em perturbar. Vivo tão-somente para o trabalho que Deus me confiou, que representa benefício geral. E, quando alguém me impede a execução do dever, inquieto-me e sofro, perdendo, por vezes, a própria vida.
– Creio, porém, que se tivesses modos diferentes… se polisses as asas para que brilhassem à claridade solar, se te vestisses em cores iguais às minhas, talvez não precisasses alarmar a ninguém. Pessoa alguma te recearia a intromissão.
– Ah! Não posso despender muito tempo em tal assunto – alegou a abelha criteriosa. – O serviço não me permite a apresentação exterior muito primorosa, em todas as ocasiões. A produção de mel indispensável ao sustento da nossa colméia, e necessária a muita gente, não me oferece ensejo a excessivos cuidados comigo mesma.
– Repara! – disse-lhe a mosca, desdenhosa – tuas patas estão em lastimável estado…
– Encontro-me em serviço – explicou-se a operária humildemente.
– Não! não! – protestou a outra – isto é sujeira e relaxamento.
E limpando caprichosamente as asas, a mosca recuou e aquietou-se, qual se estivesse em observação.
Nesse instante, duas senhoras e uma criança penetraram o recinto e, notando a presença da abelha que buscava sair ao encontro de companheiras distantes, uma das matronas gritou, nervosa:
– Cuidado! cuidado com a abelha! Fere sem piedade!…
A pequeninha trabalhadora alada dirigiu-se para o campo e a mosca soberba a exibir-se, voando despreocupada.
– Que maravilha! – exclamou uma das senhoras.
– Parece uma jóia! – disse a outra.
A mosca preguiçosa planou… planou… e, encaminhando-se para a copa, penetrou o guarda-comida, deitando varejeiras na massa dos pastéis e em pratos diversos que se preparavam para o dia seguinte. Acompanhou a criança, de maneira imperceptível, e pousou-lhe na cabeça, infeccionando certa região que se achava ligeiramente ferida.
Decorridas algumas horas, sobravam preocupações para toda a família. A encantadora mosca verde-azul deixara imundície e enfermidade por onde passara.
Quantas vezes sucede isto mesmo, em plena vida?
Há criaturas simples, operosas e leais, de trato menos agradável, à primeira vista, que, à maneira da abelha, sofrem sarcasmos e desapontamentos por bem cumprir a obrigação que lhes cabe, em favor de todas; e há muita gente de apresentação brilhante, quanto a mosca, e que, depois de seduzir-nos a atenção pela beleza da forma, nos deixa apenas larvas da calúnia, da intriga, da maldade, da revolta e do desespero no pensamento…

Do livro “Alvorada Cristã”, Neio Lúcio (Espírito), Francisco C. Xavier (psicografia)

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Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
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