ALECRIM DO CAMPO UMA SENHORA PLANTA

ALECRIM DO CAMPO UMA SENHORA PLANTA

Planta que cura até o solo (alecrim-do-campo)‏

Pesquisa da UFMG prova que o alecrim-do-campo, antes tido como vilão por alguns fazendeiros, pode servir para recuperar terrenos contaminados pela mineração, absorvendo o arsênio

O alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) é tido como uma espécie resistente, que invade territórios de pastagem com muita facilidade. Só que a planta, espécie de arbusto típico do cerrado, serve também para recuperar solos degradados pela ação devastadora da mineração. É o que prova uma nova pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolvida pela bióloga Lívia Gilberti para o seu mestrado em biologia vegetal no Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Iniciado no fim de 2010 sob a orientação do professor Geraldo Wilson Fernandes, o projeto comprovou que o alecrim-do-campo pode absorver grandes quantidades de arsênio, elemento muito comum em áreas já mineradas.
A exposição crônica ao semimetal pode causar doenças graves, incluindo formas de câncer de pele, pulmão, próstata e bexiga, além de hiperpigmentação da pele e outras doenças graves de coração e neurológicas. Embora seja um elemento abundante na natureza, utilizado também em herbicidas e inseticidas, a grande liberação do arsênio acaba sendo acentuada pela escavação das rochas, o que aumenta a liberação de grandes quantidades do elemento, contaminando solo e águas.
A bióloga mineira iniciou sua pesquisa na área do Bairro Galo Novo, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e área de grande riqueza mineral. Por lá, a presença de arsênio ultrapassa largamente os níveis seguros. Para se ter uma ideia, foram achados 8.000mg de arsênio por quilo de solo, enquanto a legislação estipula um nível máximo de 100mg de arsênio por quilo. “Não pesquisei sobre a água, que pode contar no máximo 10 microgramas, mas é capaz que os recursos hídricos da região estejam igualmente contaminados”, alerta Lívia. Porém, ainda que os níveis de arsênio possam envenenar a grande maioria das plantas, havia uma grande quantidade de alecrins-do-campo no território.

Testes A presença das plantas foi o que chamou a atenção de Lívia Gilberti, que iniciou seu experimento para verificar a relação entre a espécie e o arsênio. No laboratório coordenado pelo professor Geraldo Fernandes, a cientista plantou espécies para comparar com outros exemplares presentes no próprio terreno. Depois de dois ou três meses, o solo no qual as plantas foram germinadas no laboratório recebeu uma solução com arsênio. Embora as plantas com maior concentração de arsênio tenham apresentado um menor crescimento, além de manchas vermelhas nas folhas e alterações na distribuição de nutrientes, o alecrim-do-campo mostrou-se tolerante ao arsênio, principalmente as espécies plantadas na natureza.
Mas a Baccharis dracunculifolia não é uma hiperacumuladora, nome dado às plantas que absorvem grandes quantidades de determinado elemento distribuído em todo o seu corpo. Depois da separação em raiz, caule e folha, as espécies foram enviadas para a Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, onde foram realizados todos os testes. Os resultados indicaram que o alecrim-do-campo concentra 90% do arsênio absorvido nas raízes. “Ela não é hiperacumuladora, mas é interessante para trabalhar como fitoextratora. Ao plantá-la em um local contaminado, ela vai absorver esse elemento pela sua raiz, o que permitirá com o tempo restabelecer a cobertura vegetal daquele lugar para que outras plantas possam florescer”, afirma Lívia.
Curiosamente, o alecrim não se vale da toxicidade do elemento como forma de autodefesa, já que o arsênio poderia desestimular o ataque de insetos ou a utilização medicinal da planta. Isso se dá justamente pela distribuição do elemento, concentrado nas raízes, com pequenas quantidades no caule e nas folhas. A seleção natural acaba beneficiando as plantas mais resistentes ao elemento, que poderiam acentuar o processo de limpeza do arsênio.

BENEFÍCIOS “Há outras formas de descontaminação de terrenos minerados. Mas essas costumam destruir ainda mais o local. O uso das plantas é a opção mais natural e barata”, garante a bióloga. A pesquisadora indica ainda outras vantagens no uso da planta na recuperação do terreno. O terreno que fica exposto depois de ser explorado é suscetível ao processo de lixiviação, quando a terra é lavada com a água da chuva, que leva os elementos contaminantes para algum curso de água. Com o plantio do alecrim-do-campo, as plantas podem imobilizar o elemento contaminante no solo, além de evitar a erosão e a consequente lixiviação.

Estado de Minas
19/05/2012

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Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
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