A NOVA CARA DA POBREZA RURAL: DESAFIOS PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS

A NOVA CARA DA POBREZA RURAL:
DESAFIOS PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS

Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), 2012
A nova cara da pobreza rural: desafi os para as políticas públicas do IICA está sob licença
de Creative Commons Atribución-
No Comercial-Compartir Igual 3.0 Unported.
Disponível em formato PDF em http://www.iica.int
Coordenação editorial: Carlos Miranda
Copidesque: Valentina Pereira Buainain
Diagramação: Fabiane de Araújo Alves Barroso
Leiaute da capa: Fabiane de Araújo Alves Barroso
Foto da capa: Regina Santos
Impressão digital: Elite Comércio e Serviços Gráfi cos LTDA
A nova cara da pobreza rural: desafi os para as políticas públicas / Antonio Marcio Buainain…
[et.al] . Brasília: IICA, 2012. (Série desenvolvimento rural sustentável; v.16)
540 p., 15 x 23 cm
ISBN 13: 978-92-9248-388-3
1. Desenvolvimento rural 2. Pobreza 3. População rural 3. Políticas 4. Setor publico 5.
Brasil I. Buainain, Antonio Marcio C. II. IICA III. Título
AGRIS DEWEY

PREFÁCIO
A sociedade e economia brasileira sofreram profundas transformações sociais e econômicas na última década, que mudaram a cara presente e o futuro do país. Embora seja possível mencionar muitas transformações notáveis, como a recuperação da economia, que voltou a crescer e hoje ocupa lugar de destaque e liderança no cenário internacional; ou a recuperação da autoestima da população brasileira e os avanços na área nas áreas estratégicas da Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, para mencionar apenas alguns exemplos, a mudança mais importante foi sem dúvida a redução da pobreza em geral, a inclusão de quase 50 milhões de brasileiros à cidadania e a redução da desigualdade sociais – promovidas em grande medida pelas políticas adotadas durante a administração do presidente Lula.
Entre 2003 e 2010 aproximadamente 25 milhões de pessoas deixaram a pobreza e outros 25 milhões passaram a integrar uma nova classe média que já mostrou sua importância estratégica no período recente, quando a crise internacional abateu a economia mundial e o Brasil pode sustentar o crescimento com base na força do mercado doméstico, que deixou de ser composto pela minoria da população e do qual hoje participam praticamente toda a população. Ainda assim, em 2010 em torno de 28 milhões de pessoas viviam em condições de pobreza, dos quais 16,2 em situação inaceitável de miséria, levando a Presidente Dilma a definir, antes mesmo de assumir o cargo, que a eliminação da miséria seria prioridade do seu governo, com uma meta ambiciosa e clara de fazê-lo até 2014.
O Brasil é um país urbano com uma população rural maior do que a população total da maioria dos países da América Latina. De fato, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD/IBGE de 2008, o país tinha uma população de 10,5 milhões de pessoas ocupadas na agricultura e 27,8 milhões com domicílio rural para uma população total de 186,9 milhões de pessoas. Destaca-se que de um total de 7,3 milhões de famílias com domicílio rural, 2,9 milhões se encontravam em situação de pobreza, ou seja, de uma população rural de 26,2 milhões de pessoas, 12,2 milhões pertenciam a famílias em condição de pobreza em 2008.
O tamanho da população rural e ainda elevada proporção de pobres vivendo no meio rural, que foi historicamente marginalizada por um modelo de desenvolvimento com forte viés urbano, revela a necessidade de atenção especial e de políticas públicas ativas para resgatar o passivo de pobreza e reduzir as disparidades rural urbano que são responsáveis pelo esvaziamento do meio rural observado em várias partes do país e pelas migrações, em especial de jovens, que encontram nas cidades melhores condições para construir suas vidas. As políticas públicas sociais de garantia de renda, as políticas de saúde, eletrificação e educação tiveram impactos importantes sobre as condições de vida da população rural, mas há ainda muito o que fazer.
É no contexto destas preocupações e da decisão do governo federal de priorizar a redução da pobreza e eliminação da miséria que se insere o projeto A Nova Cara da Pobreza Rural no Brasil, iniciativa do IICA, com o apoio e parceria dos Ministérios de Desenvolvimento Social e do Núcleo de Estudos e Desenvolvimento Agrário – NEAD, vinculado ao MDA, Ministério da Educação e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA e contando como apoio acadêmico da UNICAMP e da UFU.
A série de estudos, cujos resultados principais apresentamos nestes dois volumes, confirmam tanto a queda da pobreza como da redução da desigualdade econômica no campo. Indicam, também, que além da redução, a pobreza rural está mudando de cara e de dinâmica reprodutiva: em grande medida a pobreza já não se revela apenas na insuficiência de renda, ou na falta de moradia e luz elétrica —bens e serviços cuja provisão melhorou de forma notável no período recente—, mas na precariedade da educação rural, em problemas de acesso à saúde, nas condições de trabalho precário e em carências localizadas. Neste sentido os estudos revelam que as condições de vida dos pobres rurais se aproxima da situação dos não pobres e que os principais déficits são associados à pobreza geral do meio rural, historicamente marginalizado pelas políticas públicas. Mas os estudos revelam também a resistência da pobreza “velha”, que aparece com todas as suas faces conhecidas da fome, do analfabetismo, da falta de acesso a água e energia elétrica. O desafio da sociedade brasileira é erradicar, nos próximos anos, esta pobreza.
Os estudos, sob responsabilidade de um grupo de pesquisadores de prestigiadas universidades das 5 regiões do país e técnicos de vários ministérios, foram conduzidos com o objetivo explícito de aportar conhecimento dos processos de transformação no meio rural e de revelar a dinâmica e faces da pobreza rural para apoiar a consolidação das políticas existentes e para a construção das novas políticas necessárias para reforçar o movimento positivo e recente de transformação social no campo. Os estudos consideraram a diversidade regional e sociocultural do meio rural, buscando revelar as especificidades abre a possibilidade que as ações públicas de enfrentamento da pobreza rural tenham uma focalização mais adequada e uma diversidade de instrumentos compatíveis com as necessidades e as potencialidades sócio-econômicas de cada um dos segmentos mencionados.
Esta publicação reafirma o compromisso do IICA, por meio do Fórum Permanente de Desenvolvimento Rural Sustentável – Fórum DRS de trabalhar em prol do fortalecimento das instituições brasileiras visando melhorar as condições de vida de todas as famílias que moram no espaço rural.
Manuel Rodolfo Otero
Representante do IICA no Brasil

Clique aqui para fazer o Download do livro de 540 páginas em .pdf

Anúncios

Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s