RECICLAR É NÃO JOGAR DINHEIRO NO LIXO

RECICLAR É NÃO JOGAR DINHEIRO NO LIXO

País perde R$ 8 bilhões por ano com o descarte de resíduos que poderiam ser reaproveitados. Mas já há empresas – inclusive no Paraná – faturando com esse mercado

O Brasil desperdiça cerca de R$ 8 bilhões por ano com o descarte de resíduos industriais com amplo potencial de reaproveitamento, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Parece pouco, mas isso equivale ao volume de investimento médio feito no Paraná nos últimos oito anos pelo governo do estado. Enquanto o país segue jogando dinheiro no lixo, algumas empresas despontam na utilização estratégica e rentável desses materiais.

Um dos exemplos vem das sobras da indústria eletroeletrônica. Líder no ranking dos países emergentes que mais geram lixo eletrônico por habitante, conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil despertou o interesse de empresas internacionais como a japonesa Hamaya, empresa do ramo de exportação de eletroeletrônicos reutilizáveis e para reciclagem, que escolheu a cidade de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, para instalar sua primeira filial fora do Japão. Os produtos Eletrônicos recolhidos e separados pela Hamaya em Fazenda Rio Grande serão exportados para China, Vietnã e Japão

Confira o preço que a Hamaya do Brasil paga por alguns itens de informática e telefonia:

• Placa de computador: R$ 13 por quilo

• Placa de telefonia: R$ 35 por quilo

• Processadores cerâmicos: R$ 150 por quilo

• Memória: R$ 35 por quilo

• HD: R$ 4,70 por quilo

• Celulares: R$ 16 por quilo

Os produtos recolhidos e separados pela Hamaya em Fazenda Rio Grande serão exportados para China, Vietnã e Japão
Morte e ressurreição da longa vida

Tetra Pak reuniu 32 empresas, 800 catadores e 600 cooperativas no processo de reciclagem das embalagens de leite. Mesmo assim, só consegue reaproveitar 27% do que produz

“Queremos trazer para o Brasil todo o know-how do Japão na reutilização e reciclagem do lixo eletrônico”, afirma Roberto Ito, diretor-presidente da Hamaya, que tem 20 anos de experiência no mercado japonês e exporta seus produtos para mais de 40 países, incluindo Ásia, Oriente Médio, África e América Latina.

No Brasil, a empresa tem dez funcionários e recebe, em média, 15 fornecedores de lixo eletrônico por dia, mas ao todo há 300 cadastrados. A meta é chegar a 150 fornecedores diários até dezembro e, ainda em 2012, atuar em Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu. São Paulo e Rio de Janeiro estão no cronograma de 2013 e 2014, respectivamente.

Segundo Ito, os produtos passíveis de reutilização serão enviados à China e ao Vietnã. Os demais seguem para o Japão, para a extração de metais como ouro, platina, paladium e cádmio, presentes nas placas eletrônicas.

Pronta para exportar

Desde o início das atividades, em novembro de 2011, a empresa já acumulou quatro contêineres de aproximadamente 15 toneladas de materiais, que aguardam liberação para serem exportados. Otimista com o trabalho no Brasil – que já rendeu R$ 1,2 milhão, fora os estoques –, o diretor geral da Hamaya diz que a expectativa para os próximos dez anos é alcançar no país o mesmo rendimento obtido no ano passado no Japão, quando a empresa faturou 9 bilhões de ienes (cerca de R$ 224 milhões). “A ideia é criar, com a ajuda de parceiros, uma estrutura de coleta desses materiais. Esse modelo já existe no Japão e funciona muito bem”, explica Ito.

Tecnologia

A necessidade de destinar corretamente determinados tipos de materiais abriu espaço no mercado para empresas gerenciadoras de resíduos, como é o caso do Grupo Ambiensys, que desenvolveu um sistema que descontamina e tritura lâmpadas fluorescentes.

Criado em 2005, o sistema Bulbox retira o mercúrio da lâmpada, mantendo-o retido e estabilizado dentro do equipamento por meio de um filtro de carvão ativado com enxofre, que evita o risco de contaminação.

O vidro é reaproveitado no processo de vitrificação de azulejos pela indústria cerâmica e o metal vai para a fundição. A cobrança do serviço é feita por unidade e varia de acordo com o tipo e o tamanho da lâmpada.

Por meio desse processo, cerca de um milhão de lâmpadas ganham a destinação correta só em Curitiba e região. “A vantagem é que o sistema é móvel, ou seja, um gestor ambiental responsável vai até o cliente para eliminar as lâmpadas”, explica Ingrid Hintemann, da área comercial da Bulbox. O equipamento também está disponível para comercialização. Além de Curitiba, o Bulbox também está presente em Londrina, Maringá e Umuarama.

Teto Longa Vida

Caixa de leite vira telha ecológica leve e à prova de granizo

Finas camadas de plástico, alumínio e sobras de celulose que antes iam para o lixo e demoravam anos para se decompor são usadas agora como matéria-prima para a fabricação das telhas ecológicas, produzidas há sete anos pela Telhapak, de Ponta Grossa (Campos Gerais).

A tecnologia foi desenvolvida pela Tetra Pak para reaproveitar os resíduos das embalagens longa vida. O papel já era reciclado, mas o plástico e o alumínio não tinham destinação. Mais leves e resistentes que as concorrentes de fibrocimento, as telhas ecológicas dispensam maiores cuidados no transporte, manuseio e estocagem e não se danificam com chuvas de granizo ou vendavais, explica a engenheira civil Lucimar De Geus, sócia da Telhapak.

Outra vantagem é o conforto térmico que as telhas proporcionam – as camadas de alumínio que conseguem reduzir em até 5ºC a temperatura do ambiente. De fácil fixação, as telhas ecológicas podem ser usadas em qualquer tipo de estrutura. Cada peça pesa 14 quilos, o que equivale a 7 quilos por metro quadrado – menos da metade do peso das telhas de fibrocimento. “Por serem mais leves, as telhas geram economia nos custos com estrutura”, ressalta Lucimar.

Apesar das vantagens das telhas ecológicas, o negócio esbarra na escassez de matéria-prima. Segundo a empresária, o baixo índice de reciclagem das embalagens encarece as aparas industriais – e esse custo é repassado aos clientes. Na Telhapak, as unidades padrão, com tamanho de 2,15m por 0,94m e 6 milímetros de espessura, são vendidas por R$ 34. “Para superar a falta de matéria-prima e atende a todos os nossos clientes, trabalhamos com prazos de entrega mais longos”, diz Lucimar.

Outra especialidade da Telhapak são os tapumes, feitos do mesmo material, que saem por R$ 24 a peça – e estão disponíveis para pronta-entrega.

Fonte: GAZETA DO POVO | Cíntia Junges

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