ESPÉCIES NATIVAS DA FLORA BRASILEIRA DE VALOR ECONÔMICO ATUAL OU POTENCIAL

ESPÉCIES NATIVAS DA FLORA BRASILEIRA DE VALOR ECONÔMICO ATUAL OU POTENCIAL

Plantas para o Futuro – Região Sul

 

Apresentação

A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza e fonte de imenso potencial de uso econômico. Refere-se à variedade de vida no planeta ou à propriedade dos sistemas vivos de serem distintos. Possui valores ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético, além de seu valor intrínseco, fundamental para a manutenção dos serviços ambientais, responsáveis pela sadia qualidade de vida. É a base para diversas atividades econômicas, a exemplo da agricultura, pecuária, piscicultura, silvicultura e do extrativismo, e essencial para a indústria
alimentícia, farmacêutica e de cosméticos. Representa ainda a base para a estratégica indústria da biotecnologia, além de importante fonte de renda para as comunidades locais.
Detentor de rica biodiversidade, o Brasil é considerado um dos países megadiversos mais importantes do planeta. Com 15% a 20% do número total de espécies e com a mais diversa flora do mundo, o país conta também com alguns dos biomas mais ricos do planeta em número de espécies vegetais – a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. O país é agraciado não só com a maior riqueza de espécies, mas, também, com a mais alta taxa de endemismo. A composição total da biodiversidade brasileira não é conhecida e talvez nunca venha a ser, tal a sua magnitude e complexidade.
Apesar dessa riqueza e do potencial que ela representa, a biodiversidade brasileira é ainda
pouco conhecida e sua utilização tem sido muito negligenciada. A maior parte de nossas atividades agrícolas está, ainda, baseada em espécies exóticas. Portanto, é fundamental que o país intensifique investimentos e implemente programas de pesquisa na busca de um melhor aproveitamento desse imenso patrimônio natural.
O potencial de utilização da biodiversidade é fruto da adequada combinação entre disponibilidade de matéria-prima, tecnologia e mercado. A exploração comercial de recursos genéticos é atividade diversificada, abrangendo pesquisa, desenvolvimento e a comercialização de alimentos, fármacos, cosméticos, entre outros. Envolve tecnologia de ponta, porém, com frequência, utiliza uma base de matérias- primas de fácil obtenção, fácil manutenção e renovável. A utilização comercial de recursos genéticos é, ainda, incipiente no Brasil, quando comparada ao seu notório potencial. A exploração farmacológica da biodiversidade brasileira, por exemplo, está em seu início e existe um vastíssimo
campo a ser explorado.
A domesticação de plantas nativas, incluindo aquelas já conhecidas e utilizadas por populações locais ou regionais, porém sem penetração no mercado nacional ou internacional, é a grande oportunidade que se oferece aos países ricos em recursos genéticos. No Brasil esse potencial permanece ainda subutilizado em razão de padrões culturais, fortemente arraigados, que privilegiaram produtos e cultivos exóticos e não visualizaram os benefícios que poderiam ser incorporados à nossa sociedade
caso ela soubesse usar, com clarividência e determinação, seus recursos naturais.
As espécies nativas podem também desempenhar papel fundamental para o enfrentamento das consequências decorrentes das mudanças do clima. Por serem produto de um longo processo de seleção natural, essas espécies podem apresentar genes de resistência às alterações climáticas, como elevações de temperatura, secas e inundações. O uso dessas espécies poderá, por exemplo, ser estratégico para a produção de alimentos, uma vez que poderão ser utilizadas diretamente ou como fonte de variação genética para o melhoramento das plantas cultivadas que não se adaptarem às alterações climáticas.
Considerando a diversidade genética existente no país, a importância dessa diversidade para o contínuo desenvolvimento dos diferentes setores da economia brasileira e a crescente utilização dessas espécies nativas em âmbito local e regional, o Ministério do Meio Ambiente, por meio da sua Secretaria de Biodiversidade e Florestas, coordenou a execução de iniciativa para a definição das espécies da flora brasileira com potencial para serem utilizadas como novas opções de cultivo pelo pequeno agricultor e, também, como novas oportunidades de investimento pelo setor empresarial. Com base nos resultados desse esforço, o Ministério promove, agora, o lançamento do livro: “Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro – Região
Sul”. A obra apresenta, por meio de portfólios, a descrição detalhada de 149 espécies da flora da Região Sul, consideradas prioritárias para uso pelos diferentes segmentos da sociedade.
As espécies foram priorizadas por meio de criterioso trabalho realizado por especialistas, com base em critérios pré-determinados para cada um dos grupos de uso considerados (alimentícias, aromáticas, fibrosas, forrageiras, madeireiras, medicinais e ornamentais). Para algumas das espécies priorizadas já existe algum tipo de uso e até mesmo mercado estabelecido, mas apenas em âmbito local ou regional. Para a maioria das espécies, entretanto, o uso é empírico ou ainda muito restrito ao ambiente doméstico. O fortalecimento das cadeias produtivas, a consolidação de mercado e o desenvolvimento
de ações de pesquisa são fatores essenciais para a promoção e a consolidação do uso
dessas espécies.
O presente livro representa o resultado de parcerias estratégicas com os diferentes setores da sociedade. Nesse contexto, deve-se ressaltar a liderança exercida pela Fundação de Amparo a Pesquisa e Extensão Universitária – FA PEU e pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, responsáveis pela coordenação regional dos trabalhos conduzidos para a identificação das espécies da flora da Região Sul, de uso atual ou potencial. Essa publicação representa, entretanto, apenas o início de um processo. As ações devem continuar, inclusive com a ampliação da participação dos setores do governo e da sociedade.
Espera-se que as informações apresentadas nesta obra possam contribuir para valorizar as espécies
nativas da flora brasileira, bem como o conhecimento tradicional das comunidades locais. O
interesse despertado nos diferentes setores da sociedade em relação à promoção do uso e o resgate de valores culturais deve servir como incentivo para a continuidade e consolidação das atividades em curso. Cremos que esta iniciativa contribuirá para sensibilizar a sociedade para a necessidade de consolidação das ações voltadas à conservação de ampla parcela da biodiversidade, bem como para o aumento do conhecimento sobre a biodiversidade e promoção do seu uso sustentável.
Braulio Ferreira de Souza Dias
Secretário de Biodiversidade e Florestas

Para fazer o download do livro com 936 páginas Clique aqui.

 

Catalogação na Fonte
Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro –
Região Sul / Lidio Coradin; Alexandre Siminski; Ademir Reis. – Brasília: MMA, 2011.
934p. : il. color. ; 29cm.
ISBN 978-85-7738-153-1
1. Flora – Brasil. 2. Espécie nativa. 3. Valor econômico atual ou potencial. 4. Biodiversidade.
I. Coradin, Lidio. II. Siminski, Alexandre. III. Reis, Ademir. IV. Ministério do Meio Ambiente.
V. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. VI. Título.
CDU(2.ed.)581.9 (816)

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Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
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