PLÁSTICO: DESCARTE CORRETO É DESAFIO

PLÁSTICO: DESCARTE CORRETO É DESAFIO

Plástico: descarte correto é desafio

Saiba como o consumo consciente, a reciclagem e a destinação correta das embalagens podem evitar a degradação do meio ambiente

Luciana Morais – redacao@revistaecologico.com.br

Considerado uma das mais importantes invenções da humanidade, o plástico tem forte presença em nosso cotidiano

O plástico está presente há tempos em nosso cotidiano e sem ele, certamente, não teríamos uma série de avanços e facilidades. Mas, para que a vida no planeta seja possível no futuro, é preciso buscar sempre novas formas de produzir e, principalmente, de administrar os impactos do seu consumo.

Os problemas causados pelo plástico – como o entupimento de bueiros nas cidades e a morte de animais nos oceanos – são consequência da destinação incorreta ao fim do ciclo de vida de produtos consumidos em larga escala, como garrafas e sacolas plásticas.

Portanto, entre as iniciativas para reduzir os impactos sobre o meio ambiente estão tanto a melhor utilização dos plásticos na concepção e confecção de produtos quanto a adoção da coleta seletiva e da destinação final mais eficientes, associadas à reciclagem no pós-consumo.

Segundo dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), 21,7% dos plásticos foram reciclados no Brasil em 2011, o equivalente a 953 mil toneladas/ano. Ainda em 2011, a campeã na reciclagem mundial de plásticos foi a Suécia (53%), seguida da Alemanha (33%), Bélgica (29,2%) e Itália (23,5%).

Infelizmente, o plástico é um dos materiais mais encontrados em aterros sanitários e lixões. O potencial ambiental e econômico desperdiçado com essa destinação inadequada gera perdas estimadas em R$ 5 bilhões/ano. E mais: entre 500 bilhões e um trilhão de sacolas plásticas são consumidas em todo o mundo anualmente. Só no Brasil são distribuídas cerca de 1,5 milhão de sacolinhas por hora!

Rede de aprendizagem

Atento à importância de disseminar novos valores e hábitos de consumo consciente – inclusive do plástico –, o Instituto Akatu, com sede em São Paulo, vem fortalecendo a cada dia as atividades de sua rede de aprendizagem gratuita, o Edukatu, lançado em 2013. O objetivo é incentivar a troca de conhecimentos e de práticas entre professores e alunos do ensino fundamental de escolas em todo o Brasil.

Com informações didáticas e diversificadas, o Edukatu oferece circuitos educativos cheios de desafios, vídeos, reportagens e planos de aula, além de jogos e atividades lúdicas. Para participar, basta acessar o site do instituto e se cadastrar (leia mais a seguir).

Há, ainda, uma comunidade virtual para troca de ideias com os participantes de outras escolas. Um dos materiais em destaque na plataforma é: “Como era, como ficou, como será”, mostrando os caminhos percorridos pelo plástico desde a primeira menção feita à borracha natural, em 1550, até as perspectivas para 2030, em relação à exploração das reservas de petróleo do pré-sal brasileiro.

Invenção inglesa

Considerado uma das mais importantes invenções da humanidade, o plástico é resultado de pesquisas e experimentos químicos. O inglês Alexander Parkes (1813-1890) produziu o primeiro plástico em 1862. Ele queria encontrar um material substituto da borracha, matéria-prima usada em muitos produtos na época. A parkesina, como ficou conhecida, quando aquecida, podia ser moldada e mantinha a mesma forma depois que esfriava. Entretanto, seu elevado custo de produção desestimulou os investidores.

Só em 1869, o tipógrafo norte-americano John Wesley Hyatt, para substituir o marfim usado na fabricação de bolas de bilhar – esporte tão popular que já ameaçava a população de elefantes – descobriu um material à base de nitrato de celulose, que se tornava um filme sólido e flexível. A chamada “celuloide” era formada por uma mistura de fibras de algodão com ácidos.

Os bioplásticos

Mais recentemente, a evolução tecnológica tem permitido a criação de produtos de melhor desempenho, reduzindo o impacto ambiental e a geração de resíduos. Entre os exemplos estão os novos processos industriais para fabricação de moldes de injeção de plásticos, que permitiram a confecção, por exemplo, de potes mais leves e com a mesma resistência, usados para embalar alimentos.

Outra novidade importante foi a descoberta de que as moléculas compostas de hidrogênio e carbono – presentes no plástico – poderiam ser obtidas de outras fontes, além do petróleo. Assim, a partir dos anos 1990, começaram a ser produzidos os chamados biopolímeros ou bioplásticos. Eles contêm moléculas de carbono derivadas de materiais naturais, como o plástico verde, feito da cana-de-açúcar, e polímeros como o PLA, feito à base de milho.

Conheça a seguir outras informações sobre o plástico e a sua cadeia de produção e reciclagem:

A – Plástico filme é uma película plástica normalmente usada como sacolas de supermercados, sacos de lixo, embalagens de leite, lonas agrícolas e para a proteção de alimentos na geladeira ou micro-ondas.

B – Leve, resistente e prático, o plástico rígido compõe 77% das embalagens no Brasil. Os mais comuns são: polietileno tereftalato (PET), usado em garrafas de refrigerantes; polietileno de alta densidade (PEAD), consumido por fabricantes de engradados de bebidas, baldes, tambores, autopeças e outros produtos; cloreto de polivinila (PVC), comum em tubos e conexões e em garrafas para água mineral e detergentes líquidos; polipropileno (PP), usado em embalagens de massas e biscoitos, potes de margarina e utilidades domésticas; e o poliestireno (PS), presente em eletrodomésticos e copos descartáveis.

C – As sacolas plásticas não são as maiores vilãs do meio ambiente, mas seu consumo excessivo sim. Para a sua produção são consumidos petróleo ou gás natural (ambos recursos naturais não renováveis), água e energia; e liberados efluentes (rejeitos líquidos) e gases causadores do efeito estufa. Depois de usadas, muitas são descartadas de maneira incorreta, aumentando a poluição ao entupir bueiros ou indo parar nas matas e oceanos, onde são ingeridas por animais que morrem sufocados ou presos nelas.

Entenda melhor:

Os plásticos são subprodutos da indústria de petróleo derivados tanto do óleo, pela extração de matérias-primas durante o processo de refino do petróleo bruto, quanto do gás natural. Eles são usados há anos em substituição a outros tipos de materiais como o aço, o vidro e a madeira, devido ao seu baixo peso, baixo custo, elevadas resistências mecânica e química e também por serem recicláveis.

Os materiais usados para a obtenção de produtos plásticos, como a nafta e a parafina, integram a cadeia produtiva da indústria petroquímica. Esse segmento é responsável por transformar os derivados de petróleo, por meio de processos químicos, em uma variedade de materiais.

Para a produção dos plásticos, o mais comum é o uso de nafta. Ela passa por um processo de “craqueamento” (numa referência ao termo em inglês cracking), no qual suas moléculas complexas são divididas em moléculas mais simples, com a “quebra” de algumas ligações químicas.

Essas moléculas mais simples são os monômeros. A obtenção de vários tipos delas é que define o futuro plástico. Entre os monômeros mais usados estão o eteno e o propeno.

Para chegar ao plástico, é necessário um último passo: a polimerização. Nesse processo, por meio de reações químicas, as moléculas monoméricas são agrupadas e ordenadas, formando o polímero.

 


Três perguntas para Sílvia Sá, gerente de educação do Instituto Akatu.

O descarte incorreto de embalagens plásticas causa sérios danos ambientais. Acredita que faltam campanhas e instrumentos de mobilização para elevar o grau de conscientização do brasileiro?

Crédito/Imagem: Hoana Gonçalves

Muito se avançou na conscientização das pessoas. Hoje, esse tema está nas escolas, nos jornais e a atual crise da água está motivando a mudança de comportamento das pessoas em muitas áreas da vida. Mas é preciso muito mais. O avanço necessário para construirmos uma sociedade que compra de maneira mais consciente, que usa os produtos de forma a estender ao máximo sua vida útil e os descarta quando não têm mais utilidade para si ou para outros, de maneira correta, vem pela educação para o consumo consciente. Promovemos essa educação para crianças e jovens por meio do Edukatu, proporcionando a troca de experiências do Oiapoque ao Chuí.

Qual o total de participantes cadastrados? Há algum assunto mais acessado pelos usuários?

Temos mais de nove mil cadastrados, entre professores, alunos e pessoas interessadas no tema. A área mais acessada é o “Circuito”, bloco de navegação guiada com atividades lúdicas e jogos organizados por temáticas. Resíduos sólidos e consumo consciente de água e de alimentos são alguns dos temas trabalhados. Outras áreas bastante visitadas são “Por Dentro”, com notícias sobre consumo consciente e educação; e “Inspirações”, em que contamos boas experiências realizadas em todo o país com a aplicação do Edukatu. Com essas histórias, esperamos que mais e mais pessoas entrem em contato com o conteúdo, enxergando na prática como levar essas informações à sua comunidade escolar.

Vocês têm cartilhas ou outros materiais educativos impressos disponíveis?

Nossa atuação é focada principalmente nas áreas de educação e comunicação, visando mobilizar a população rumo ao consumo consciente. Para alcançarmos isso de forma coerente, oferecemos conhecimentos e repertórios gerando o mínimo de impactos negativos. Priorizamos assim a produção e a difusão de conteúdos digitais, apostando na desmaterialização do conhecimento como um dos caminhos para a sustentabilidade. Não distribuímos materiais físicos, mas professores e alunos têm liberdade para usar os conteúdos disponíveis no Edukatu, dando os devidos créditos, conforme especificado.

Entenda melhor:

1. O plástico provoca a impermeabilização do solo e dos depósitos de lixo, dificultando a biodegradação de resíduos orgânicos.

2. Os principais consumidores de plásticos separados do lixo são as empresas recicladoras, que reprocessam o material, fazendo-o voltar como matéria-prima à cadeia de produção. É possível economizar até 50% de energia com o uso de plástico reciclado.

3. O índice de reciclagem mecânica de plástico no Brasil é de 22%. Esse volume é maior do que o observado na França e próximo ao do Reino Unido. Porém, esse percentual poderia ser maior, caso o descarte fosse feito de maneira correta, gerando mais insumo para as cooperativas e empresas de reciclagem.

4. Além da reciclagem mecânica e química, que transformam o plástico em nafta e em resina virgem novamente, há outra destinação – ao fim do seu ciclo de vida –, ainda pouco comum no Brasil. Trata-se da recuperação energética. Nesse processo, o plástico e demais resíduos são queimados e o calor produzido durante a queima gera energia elétrica ou térmica.

5. Apesar de recomendado pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), esse processo deve ser realizado somente para plásticos não recicláveis ou que já foram reciclados inúmeras vezes, pois a reciclagem mecânica é sempre a melhor alternativa. Afinal, por meio dela, os materiais são reaproveitados de maneira mais nobre, produzindo novas matérias-primas.

Saiba mais:

http://www.edukatu.org.br

Fontes/Pesquisa bibliográfica

Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) – Ficha Técnica: Plásticos / Edukatu / Ministério do Meio Ambiente / Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast)

Fonte: Revista Ecológico

 

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Sobre Junior

Cristão, amante da Natureza, de bem com a vida, feliz por trabalhar com prazer
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