BOA NOTÍCIA – NASCIMENTO DE FILHOTES DE QUELÔNIOS NA AMAZÔNIA

BOA NOTÍCIA – NASCIMENTO DE FILHOTES DE QUELÔNIOS NA AMAZÔNIA

Mais de mil filhotes de quelônios nascem na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na Amazônia

por Fábio Paschoal em 21 de janeiro de 2016
Filhotes de tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) se dirigem para o rio - Foto: Vanielle Medeiros

Filhotes de tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) se dirigem para o rio – Foto: Vanielle Medeiros

A temporada reprodutiva dos quelônios fluviais de 2015 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na Amazônia, foi produtiva. Os pesquisadores do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, registraram o nascimento de 1.348 filhotes durante o período.

Três praias do Rio Solimões foram monitoradas. 80% dos filhotes eram de tartaruga-da-amazônia, 12% de iaçá e 7% de tracajá. Os dados contribuem para o entendimento da ecologia das espécies estudadas. “A primeira espécie de quelônio aquática que começa a desovar é Podocnemis sextuberculata (iaçá), as fêmeas iniciam a desova no final de agosto e terminam em outubro; P. unifilis (tracajá) desova entre agostos e setembro e P. expansa (tartaruga-da-Amazônia) desova principalmente em outubro.” Conta Vanielle Medeiros, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Pesquisadora mostra as três espécies de quelônios estudadas (de cima para baixo): tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis) e iaçá (Podocnemis sextuberculata) - Foto: Vanielle Medeiros

Pesquisadora mostra as três espécies de quelônios estudadas (de cima para baixo): tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis) e iaçá (Podocnemis sextuberculata) – Foto: Vanielle Medeiros

Segundo a pesquisadora, o monitoramento em campo contempla desde a desova até a eclosão. “Podemos ter uma base de quantos ninhos aquela praia está produzindo e mais ou menos quantos filhotes podem nascer dependendo disso. Por serem animais de vida longa, é importante fazer um acompanhamento ao longo do tempo para ter uma série histórica de dados que nos permite estudar a ecologia desses animais”, afirmou.

A primeira expedição foi realizada em outubro de 2015. O objetivo era identificar ninhos e observar a desova das fêmeas. 750 metros de praia foram mapeados para testar o grau de vulnerabilidade dos ninhos à inundação. Os locais dos ninhos foram marcados por GPS e a equipe fez a medição e a pesagem dos ovos.

Fêmea de tartaruga-da-Amazônia desovando em uma praia na Reserva Mamirauá.  Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): Pouco preocupante - Foto:  Ana Júlia Lenz

Fêmea de tartaruga-da-Amazônia desovando em uma praia na Reserva Mamirauá – Foto: Ana Júlia Lenz

Pesquisadores realizam biometria de ovos de tracajá - Foto: Amanda Lelis

Pesquisadores realizam biometria de ovos de tracajá – Foto: Amanda Lelis

As expedições de novembro e dezembro foram realizadas para acompanhar a eclosão dos ovos e a emergência dos filhotes. Os pequenos foram marcados e a equipe coletou dados de cada indivíduo para poder acompanhar o desenvolvimento dos animais em posteriores recapturas.

Vanielle diz que os dados serão analisados e servirão para comparar a produção das praias monitoradas, o sucesso de eclosão dos ninhos e servirá como indicador para verificar se existe relação entre o tamanho da fêmea e o tamanho dos filhotes.

Fêmea de iaçá marcada para estudos populacionais - Foto:  Amanda Lelis

Fêmea de iaçá marcada para estudos populacionais – Foto: Amanda Lelis

Macho de tracajá, conhecido popularmente como Zé Prego, capturado para biometria e marcação - Foto:  Ana Júlia Lenz

Macho de tracajá, conhecido popularmente como Zé Prego, capturado para biometria e marcação – Foto: Ana Júlia Lenz

O monitoramento da temporada reprodutiva dessas três espécies é feito desde 1998 pelo Instituto Mamirauá. A atividade é realizada no período da seca, quando as praias se formam na região. “É importante ressaltar que essas espécies aquáticas têm o período reprodutivo sincronizado com o rio. O rio Solimões é marcado por dois grandes períodos anuais de cheia e seca. Quando o rio demora para secar, os bancos de areia, nos quais os quelônios desovam, também demoram para emergir e o início da temporada reprodutiva depende dos locais disponíveis para desova”, alerta a pesquisadora.

Vanielle e a equipe também se esforçam para monitorar os quelônios fluviais amazônicos durante o período em que as águas do rio sobem e encobrem as praias. “Queremos saber quais são as áreas em que eles estão na cheia. Geralmente os animais migram para outras áreas para alimentação e crescimento. É importante acompanhar essas outras áreas que também são usadas por essas espécies, e que talvez não sejam tão protegidas quanto as praias de desova.”

Moradores de comunidade tradicional realizam a soltura dos filhotes de quelônios nascidos na praia protegida - Foto:  Vanielle Medeiros

Moradores de comunidade tradicional realizam a soltura dos filhotes de quelônios nascidos na praia protegida – Foto: Vanielle Medeiros

Uma grande ajuda para a conservação da espécie vem das comunidades ribeirinhas da região. Os moradores acampam nas praias e se revezam para monitorar e proteger as áreas de desova e evitar invasões para a coleta de ovos ou fêmeas (utilizados para consumo na região).

O projeto também conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Prêmio IGUi Ambiental.

Fonte: national-geographic

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