HISTÓRIAS DE TARTARUGAS

HISTÓRIAS DE TARTARUGAS

Apresenta-se a seguir histórias interessantes sobre as maravilhosas tartarugas

ADRIANA E AS TARTARUGAS – HEROÍNAS ANÔNIMAS

A visão de um réptil incomoda muita gente, sobretudo os católicos. Esse fóssil vivo teve o azar de sobreviver às extinções mesozóicas e pagar pelos pecados ambientais do homem aqui na Terra. A Bíblia, apesar dos valiosos ensinamentos e de seu conteúdo histórico, não foi justa com os répteis. O pavor que temos dessas criaturas peçonhentas de sangue frio, olhar de predador cruel e calculista é em parte devido à crença popular católica. Os problemas no paraíso começaram com aquela maldita serpente, e todo o grupo dos répteis levou a má fama. “Dar o bote”, “aquilo é uma cascavel fantasiada de sogra”, “se morder a língua morre envenenada”, “fulano é traiçoeiro como uma jararaca” e “ciclano soltou cobras e lagartos” são apenas algumas das metáforas comuns do nosso quotidiano gramatical, que descrevem o pior do comportamento humano. E quando nosso olhar trava no de um réptil qualquer é normal essa sensação que varia desde um leve mal estar até aquele terror histérico feminino (lembre-se que foi Eva a primeira a ser picada).

Mas toda regra tem sua exceção. E a má reputação dos répteis encontra uma trégua nas tartarugas. Esses répteis de armadura surgiram a pelo menos 200 milhões de anos como contemporâneas dos dinossauros. Hoje representam um dos principais grupos emblemáticos do movimento mundial da conservação animal, sobretudo as espécies marinhas. As espécies terrestres podem não ser um exemplo de beleza animal (peço desculpas aos especialistas, mas gosto não se discute), mas também não tem aparência e nem velocidade ameaçadora. São tão inofensivas que são usadas como pets em jardins da infância. Às vezes é o primeiro, pra não dizer o único, bicho de estimação permitido por jovens donas-de-casa, zelosas da decoração moderna do apartamento, que não deixam o bicho sair nem da caixa do sapato, e que teriam um ataque histérico com um estabanado Golden Retriever subindo molhado no sofá da sala.

Em 1997 freqüentei por um mês a Universidade de Murcia, na região sul da Espanha. Num domingo, uma equipe de biólogos me convidou para um trabalho voluntário de monitoramento de campo da população de tartarugas de um determinado bioma semi-árido típico daquela região. Era um projeto de conservação financiado pela União Européia. O trabalho era simples. Nós tínhamos que formar uma linha de frente pra contar tartarugas em uma determinada faixa de terreno árido e pedregoso, com aproximadamente 200 metros de comprimento. Elas ficavam meio camufladas entre a vegetação seca e rasteira, e eram facilmente confundidas com as pedras. Extremamente lentas, talvez até pra ficarem mais ainda parecidas com as pedras. Mas o mais curioso é que elas eram carnívoras. Predadoras vorazes, pra ser mais exato. Eu imediatamente perguntei ao biólogo coordenador do projeto, o que exatamente elas conseguiam caçar naquela lentidão toda, enquanto eu pensava em algum animal dormindo. Naquele momento não me passou pela cabeça o óbvio: ele disse que elas caçavam caracóis! A única presa do reino animal que, como num vídeo em câmara lenta, podia ser alcançada por tartarugas carnívoras.
Curiosidades a parte, o fato é que as espécies marinhas adquiriram nas últimas décadas uma simpatia popular muito maior do que as terrestres. Existem no mundo sete espécies das quais cinco ocorrem no Brasil: uma herbívora (tartaruga verde – Chelonia mydas) e quatro carnívoras, algumas com nutrição especializada como a tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata), que se alimenta principalmente de esponjas marinhas, e a gigantesca tartaruga de couro (Dermochelys coryacea) que se alimenta principalmente de animais gelatinosos (“águas vivas”). As outras são carnívoras oportunistas com uma dieta variada de moluscos, crustáceos, peixes e cnidários bênticos (tartaruga cabeçuda – Caretta caretta e a tartaruga olivacea – Lepidochelys olivacea)

No Brasil, graças ao Projeto Tamar as tartarugas marinhas estão protegidas por lei. Suas ações práticas de manejo, pesquisa, educação ambiental, inclusão social e divulgação contribuíram para que a população brasileira reconhecesse as tartarugas marinhas como um dos principais representantes da biodiversidade do mar brasileiro. Pode-se dizer que o Tamar deu início ao movimento de conservação marinha no país no início da década de 80. No seu rastro vieram os projetos de conservação de mamíferos, aves e até tubarões (veja o artigo “Se correr o bichin pega, se boiar o bichin come”, nessa mesma coluna). Hoje as pessoas até se esquecem que tartarugas marinhas são répteis. Pra maioria elas não são répteis. São só tartarugas. E a tática do Tamar de mostrar filhotinhos foi tiro e queda! Quem nunca viu um vídeo ou pelo menos uma foto daqueles ovinhos se rompendo e as centenas de tartaruguinhas se arrastando sobre a areia da praia em direção ao mar. No frenesi do “salve-se quem puder”, elas se amontoam, sobem uma por cima das outras, e se os resorts cinco estrelas estiverem com as luzes apagadas, elas correm na direção do mar vencendo as primeiras dunas, as primeiras ondas, os primeiros predadores e saem nadando, cada uma por si e Deus por todas, desaparecendo na imensidão do mar tropical. Depois regressam pra costa anos mais tarde em busca de áreas de alimentação e reprodução.

O período entre nascer e regressar é que é cheio de mistérios. As evidências indicam que elas passam os primeiros anos de vida tentando sobreviver como heroínas anônimas nos desertos oceânicos de águas quentes que formam os giros planetários (veja o artigo “A Latitude dos cavalos” nessa mesma coluna). Uma fase de vida pelágica muito longe da costa, batizada pelos especialistas como “anos perdidos”. Perdidos estão eles! Porque as tartarugas sabem muito bem onde estão e por que estão nessas regiões. Pequenos répteis com baixo metabolismo podem sobreviver longos períodos sem se alimentar, uma vantagem já bem conhecida em desertos. E nos oceânicos as únicas alternativas de alimento para um filhote de tartaruga estão na superfície. Seus pulmõezinhos não garantem suprimento de oxigênio suficiente para explorar alimento em profundidade, como o faz grande e misteriosa tartaruga de couro.

Uma das regiões candidata a berçário de tartaruga marinha é o Mar dos Sargaços, localizado no giro oceânico planetário do Atlântico Norte, onde se protegem contra os predadores sob os macro-talos vegetais flutuantes, os quais servem de substrato para uma comunidade autóctone (i.é., que só existe lá) de peixes, crustáceos, moluscos e até insetos trazidos pelos ventos Alíseos do continente africano. Ou seja, tem bastante alimento para as
tartaruguinhas no Mar dos Sargaços. Além do próprio talo da alga que eu acredito deva alimentar a herbívora Chelonia mydas. Além disso, a água quente dos trópicos e a imobilidade típica dos répteis garantem menos consumo e economia de energia. Imagine você nas férias de verão protegido por um guarda-sol e deitado num daqueles colchões de ar, flutuando na piscina. A economia de energia é a mesma. As que por ventura pegam a corrente errada e não tem a sorte de encontrar o caminho para o Mar dos Sargaços, acabam parando em qualquer um dos outros quatro giros planetários, onde são poucas as chances de encontrar alimento na superfície. Contam com a pouca probabilidade de serem encontradas por algum predador nesse gigantesco deserto marinho. Por outro lado, sendo carnívoras têm poucas chances de encontrar suas presas.

A explicação mais lógica para a sobrevivência de tartarugas em desertos tropicais está no tipo de alimento. Sabe-se que os principais itens alimentares de tartarugas carnívoras quando jovens, ou adultas na fase não reprodutiva, são animais gelatinosos do plâncton popularmente conhecidos como “águas vivas”. Aquelas que queimam. Muitos desses animais alimentam-se de pequenas partículas orgânicas filtrando ativamente milhares de litros de água do mar em suas redes orgânicas, como um aspirador de pó biológico. Muitas vezes concentram-se em áreas extensas dos mares tropicais, temperados e até regiões polares, entupindo as redes de pesca. Como as salpas e os ctenóforos (procure no Google – imagens) que bombeiam litros e litros de água do mar pra dentro do corpo com batimento de cílios, concentrando e digerindo partículas orgânicas minúsculas em seu corpo gelatinoso. Um prato cheio pra jovens tartarugas carnívoras que não enxergam partículas microscópicas, mas que enxergam muito bem os animais que as concentram.

Eventualmente encontram objetos flutuando, incrustados com invertebrados e algas que podem ser raspados e garantir temporariamente algum suprimento alimentar. Mas isso seria abusar da sorte. Em áreas desertas com pouco alimento muitas são mortalmente seduzidas por pedaços de plástico que se acumulam nos giros planetários (ver o artigo “A latitude dos cavalos” nessa mesma coluna). O plástico se incrusta com comunidades marinhas sésseis e adquire o mesmo odor marinho. Uma miragem para as tartarugas famintas que confundem o plástico com alimento gelatinoso. Sem conseguir digerir e nem expelir o plástico disfarçado de vovozinha, seu estômago perde espaço e área de absorção do verdadeiro alimento. Morrem injustamente por indigestão depois de todas as provações naturais.

Uma das espécies menos conhecidas em relação ao ciclo de vida é a gigante tartaruga de couro. São carnívoras e muito mais ativas do que as outras espécies. Já desde pequeninas, quando acabam de sair do ovo, correm pela areia da praia com muito mais vigor e nadam mais rapidamente do que as outras espécies, com batimentos explosivos e simultâneos dos membros natatórios. O maior mistério é que os jovens não são encontrados no Mar dos Sargaços e em nenhum outro lugar. Onde se escondem (?) e do que se alimentam (?) durante os “anos perdidos”, são perguntas ainda sem respostas. Os juvenis não apenas são maiores do que os das outras espécies e com mais capacidade pulmonar, mas também nadam mais rapidamente. Isso talvez faça uma enorme diferença na aptidão dessas pequenas grande tartarugas para o mergulho profundo, aumentando as chances de sobreviver no centro dos giros oceânicos tropicais onde existe alimento abundante entre 100-200 metros. Ou nas margens subtropicais dos giros, nas zonas de Convergência Subtropical (CST) onde há muito alimento mesmo na superfície.

A CST é uma fronteira hidrográfica que divide águas subtropicais de águas temperadas. No Hemisfério Sul, quando se navega na direção sul cruza-se uma faixa oceânica de pouco mais de 60 milhas náuticas de espessura, na qual a temperatura cai de 20 para 15 graus aproximadamente. É uma estreita faixa de gradiente térmico, rica em produção orgânica, que circunda todo o globo no Hemisfério Sul. Daí a dificuldade de encontrá-las, porque normalmente os navios cruzam com a CST durante seus cruzeiros oceanográficos em geral no sentido norte-sul. São raros, se é que existem, cruzeiros oceanográficos no rumo da circunavegação ao longo da zona de convergência subtropical, onde a probabilidade de encontrar tartarugas se alimentando seria pelo menos centenas de vezes maior. Zonas semelhantes também existem no Atlântico e no Pacífico Norte.

É óbvio que essas zonas de fronteira hidrográfica reúnem as melhores condições de alimento e temperatura, não apenas para as jovens e enigmáticas tartarugas de couro, mas também para outras espécies carnívoras, que ocorrem em todos os oceanos. Como precisam de temperaturas elevadas para manter o metabolismo corporal (são animais de sangue frio) devem permanecer do lado quente da fronteira hidrográfica. Exceto talvez a tartaruga de pente que adoram as esponjas marinhas que crescem em recifes de corais. Aliás, é curiosa essa semelhança entre o hábito alimentar das carnívoras jovens em regiões pelágicas subtropicais e tropicais, alimentando-se não apenas de medusas carnívoras, mas também de organismos gelatinosos igualmente bons filtradores como as esponjas marinhas. Será essa mais uma adaptação evolutiva do hábito alimentar de animais pelágicos com poucas oportunidades de encontrar alimento? Não me admira nada uma tartaruga conseguir sobreviver em um deserto tropical, onde o alimento mais abundante está nas partículas microscópicas invisíveis e que só um “aspirador de pó vivo” consegue aproveitar. As melhores alternativas de alimento são sem dúvida esses empacotadores de partículas orgânicas de vida planctônica, com pouca mobilidade e, portanto, facilmente capturados. É certo que esses gelatinosos tem 97% de água em sua composição. Ou seja, comida diet para tartarugas, com baixíssimo poder calórico. Mas já que as tartarugas também têm baixo metabolismo basal, fica elas por elas.

Hoje as tartarugas são protegidas por lei o que, infelizmente, não garante proteção integral. As populações continuam vulneráveis aos pecados dos homens contra a biodiversidade marinha, dentre os quais sem dúvida a pesca comercial de arrasto e de espinhel, e a contaminação com lixo plástico, são os mais ameaçadores. O IBAMA/TAMAR esta fazendo um belíssimo trabalho em Santa Catarina, monitorando os conflitos entre a pesca de espinhel e a conservação das tartarugas. Um anzol com isca é uma iguaria irresistível no habitat pelágico e elas acabam sendo capturadas acidentalmente. A pesca comercial tem interesse em resolver esses conflitos uma vez que a cada tartaruga capturada no anzol é um atum a menos na produção pesqueira. O projeto em SC desenvolveu anzóis especiais para evitar essas capturas acidentais.
Mas contra o lixo plástico a coisa vai de mal a pior. Um problema difícil de solucionar é evitar a contaminação dos mares com lixo sólido que ameaçam a vida marinha de várias formas. Quando os pedaços são pequenos são confundidos com alimento e matam por dentro (ver artigo “Nibs, o campeão do microlixo marinho”, nessa mesma coluna). Quando é grande, como cabos e redes de nylon à deriva, são armadilhas igualmente mortais. Como ocorreu ao largo da Ilha do Cardoso, sul de São Paulo no último dia 22 de março. Recebi as fotos dessa coluna de Adriana Brandão, uma médica cirurgiã cujo principal lazer é a fotografia submarina, talvez pra saciar um desejo oculto de ter sido Bióloga Marinha. Eram mais ou menos 4 da tarde quando a tripulação do veleiro “Da Vinci”, que viajava de Paraty a Antonina (baía de Paranaguá, PR), foi alertada por Adriana sobre um estranho objeto plástico que flutuava em meio ao lixo que se espalhava pela superfície do mar. Ao se aproximar após a insistência de Adriana, perceberam algo que se debatia em baixo de um tambor de óleo.

Adriana imediatamente percebeu um vulto de uma enorme tartaruga presa no cabo amarrado ao tambor. Um sistema de bóia improvisada que deve ter se desprendido de algum atracadouro costeiro ou de alguma rede de espera. As imagens são dramáticas e ao mesmo tempo redentoras. Dramáticas porque revelam o que acontece com freqüência nos mares do mundo afora; milhares de tartarugas enroscadas em pedaços de redes ou cordas de pesca. Como crianças ingênuas, não percebem o perigo e se aproximam em busca de alimento ou abrigo, e acabam enroscadas, morrendo de fome e exaustão. A não ser que tenha a sorte de encontrar pessoas como Adriana, que heroicamente salvou essa cabeçuda do enrosco fatal. Esse é o lado redentor das imagens.

Adriana é também uma heroína anônima, assim como todas as jovens tartarugas que lutam solitárias pela sobrevivência num oceano de armadilhas. Pulou corajosamente no mar sob o olhar assustado de três marmanjos indecisos, que além de fazer as fotos (lindas por sinal)

deviam estar aos berros em cima do veleiro, mais preocupados com a mordida que a tartaruga podia dar na Adriana. Que sua coragem, levada sem dúvida pela força do espírito materno, sirva de exemplo pra todos nós. Nunca hesitem em salvar um animal marinho em apuros. Mesmo que seja tarde de mais, pois ele merece morrer com dignidade diante das ameaças tão covardes que, por pura ignorância, provocamos contra a natureza do mar. É a sua chance de redimir os pecados dos homens.

Frederico Brandini

O PIQUENIQUE DAS TARTARUGAS

Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique.
As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram sete anos para prepararem-se para seu passeio.
Finalmente a família de tartarugas saiu de casa para procurar um lugar apropriado.
Durante o segundo ano da viagem encontraram um lugar ideal!
Por aproximadamente seis meses limparam a área, desembalaram a cesta de piquenique e terminaram os arranjos.
Então descobriram que tinham esquecido o sal.

Um piquenique sem sal seria um desastre, todas concordaram.
Após uma longa discussão, a tartaruga mais nova foi escolhida para voltar em casa e pegar o sal, pois era a mais rápida das tartarugas.
A pequena tartaruga lamentou, chorou, e esperneou. Concordou em ir mas com uma condição:que ninguém comeria até que ela retornasse.
A família consentiu e a pequena tartaruga saiu.

Três anos se passaram e a pequena tartaruga não tinha retornado.
Cinco anos… Seis anos… Então, no sétimo ano de sua ausência, a tartaruga mais velha não agüentava mais conter sua fome.

Anunciou que ia comer e começou a desembalar um sanduíche.
Nesta hora, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou, Viu!
Eu sabia que vocês não iam me esperar.
Agora que eu não vou mesmo buscar o sal.

Moral da história
Na nossa vida as coisas acontecem mais ou menos da mesma forma. Desperdiçamos tempo esperando que as pessoas vivam à altura das nossas expectativas. Ficamos tão preocupados com o que os outros estão fazendo que deixamos de fazer as nossas próprias coisas . *(Conto chinês)

soninha

A LEBRE E A TARTARUGA

Um dia uma tartaruga começou a contar vantagem dizendo que corria muito depressa, que a lebre era muito mole, e enquanto falava, a tartaruga ria e ria da lebre. Mas a lebre ficou mesmo impressionada foi quando a tartaruga resolveu apostar uma corrida com ela.

“Deve ser só de brincadeira!”, pensou a lebre.

A raposa era o juiz e recebia as apostas. A corrida começou, e na mesma hora, claro, a lebre passou à frente da tartaruga. O dia estava quente, por isso lá pelo meio do caminho a lebre teve a idéia de brincar um pouco. Depois de brincar, resolveu tirar uma soneca à sombra fresquinha de uma árvore.

“Se por acaso a tartaruga me passar, é só correr um pouco e fico na frente de novo”, pensou.

A lebre achava que não ia perder aquela corrida de jeito nenhum. Enquanto isso, lá vinha a tartaruga com seu jeitão, arrastando os pés, sempre na mesma velocidade, sem descansar nem uma vez, só pensando na chegada. Ora, a lebre dormiu tanto que esqueceu de prestar atenção na tartaruga. Quando ela acordou, cadê a tartaruga? Bem que a lebre se levantou e saiu zunindo, mas nem adiantava! De longe ela viu a tartaruga esperando por ela na linha de chegada.

Esopo

FÁBULA AFRICANA: A TARTARUGA E O LEOPARDO

Enquanto o avó Ussumane fumava seu cachimbo, as crianças falavam sobre o caçador que havia passado pela aldeia naquela manhã. O que mais lhe havia impressionado era a quantidade de amuletos que o caçador levava ao redor do corpo e sua espingarda.

– Quando cresça, serei caçador- disse Malafi.

– Para isso – interrompeu seu avó – precisa aprender muito- o caçador tem que conhecer entre muitas coisas, os hábitos dos animais e as horas que saem para comer e beber, além de saber construir armadilhas.

– Nos conte uma história sobre armadilhas para animais – pediram as crianças em coro. E Ussumane não tardou em alegra-los.

– Creio que a história da tartaruga vocês vão gostar. Preste atenção.

A tartaruga distraída como sempre, voltava para casa, observando e parando para colher flores silvestres. Acontece que era um pouco tarde e se não se apressasse, a noite iria cobrir com seu obscuro manto todo o bosque antes que ela chegasse a sua habitação.

De repente sentiu que o solo se abria inexplicavelmente. Havia caido em uma armadilha, um poço profundo coberto com folhas de palmeiras que os caçadores da aldeia haviam cavado no meio da mata.

Graças a sua couraça a tartaruga não se machucou. Mas como faria para escapar dali? Tinha que encontrar uma solução antes do amanhecer porque se não, ai! Iria parar nas mãos dos caçadores. Eles iriam come-la em sopa!

Estava pensando quando zas! Um leopardo esbelto e ágil caiu na mesma armadilha, bem em frente a ela, fina e lânguida. A tartaruga deu um salto e fingindo ter sido incomodada em sua casa com voz parecida a senhora inglesa, disse:

– Que fazes aqui? Isso são maneiras de entra em minha residência e sem ser convidado?
O leopardo olhava para ela atônito.

-Não sabes que me incomoda receber visitas a estas horas da noite? Saia daqui, desrespeitoso e mal educado!

A última palavra foi suficiente para que o leopardo não aguentasse e bufando de tanto atrevimento, agarrou a tartaruga e a arremessou para fora da armadilha com toda a sua força, exclamando:

– Saía você, velha enrugada!

Era exatamente isso que ela queria. A caminho de casa, satisfeita da vida, a tartaruga ria, porque havia se livrado do homem e do leopardo.

Rogério Andrade Barbosa

LENDA JAPONESA

Urashima Taro era um pescador japonês que um dia salvou uma tartaruga que estava sendo maltratada na praia por alguns rapazes. Tarō a salvou dos meninos e retornou-a ao mar.

No dia seguinte, uma tartaruga enorme se aproximou dele e lhe disse que a pequena tartaruga que ele salvara era na verdade a filha do Imperador do Mar, que gostaria de vê-lo e agradecer-lhe. Ela permitiu que ele subisse em suas costas e, através de magia, fez surgir brânquias em Taro para que ele pudesse respirar debaixo d’água. Assim pôde levá-lo a uma viagem para conhecer o fundo do mar e o palácio do rei-dragão, Ryūgū-jō (em japonês: 竜宮城 ou 龍宮城, Ryūgū-jō?). Lá o pescador se encontrou com o imperador e com a sua filha, a pequena tartaruga, que agora estava transformada em uma bonita princesa.
Ilustração de Urashima Tarō feita por Edmund Dulac.

Taro ficou no palácio como hóspede de honra e muitas festas foram feitas em sua homenagem. Assim foram se passando os dias. Embora feliz nas águas marinhas, Urashima começou a sentir saudades de sua terra natal e de seus parentes, e pediu para voltar. Ao partir, recebeu da princesa uma arca de presente, com a promessa de que só a abrisse quando ficasse bem velho e de cabelos brancos.

Ao chegar em sua cidade não a reconheceu, pois estava tudo muito mudado. Ele não conseguiu reconhecer nenhuma das pessoas da vila, os lugares já não eram mais os mesmos.

Começou a perguntar se ninguém conhecia um pescador chamado Urashima Tarō. Algumas pessoas disseram que tinham ouvido falar de alguém com esse nome, que havia desaparecido no mar muitos anos atrás. Taro acabou descobrindo que haviam se passado trezentos anos desde o dia em que havia decidido ir ao fundo do mar.

Tomado de grande tristeza, foi para a beira do mar na esperança de reencontrar a tartaruga, mas desesperou-se porque esta demorava e acabou abrindo a caixa que a princesa lhe havia oferecido. De dentro dela saiu uma nuvem de fumaça branca, que o envolveu. De repente, seu corpo tornou-se velho e enrugado, nasceu-lhe uma longa barba branca e suas costas curvaram-se com o peso de tantos anos. E do mar veio a voz doce e triste da princesa: “Eu lhe disse para não abrir a caixa. Nela estavam todos os seus anos …” A caixa continha a “eterna juventude” de Urashima Taro e o pescador, sem reconhecer seu valor, deixou-a ir-se para sempre.

Castilho, M. L. C. de (trad.) Fábulas e Lendas Japonesas. Círculo do Livro, São Paulo, 1987. pp. 59-68.

A TARTARUGA

Eu percebia que aquilo aborrecia muito os meus pais, porém pouco me importava com isso.
Desde que obtivesse o que queria, dava-me por satisfeito.

Mas, está claro, se eu importunava e agredia as pessoas, estas passaram a tratar-me de igual maneira.

Cresci um pouco e de certa feita me apercebi de que a situação era desconfortante e me preocupei sem, entretanto, saber como me modificar.

O aprendizado me foi dado em um domingo em que fui, com meus pais e meus irmãos, passar o dia no campo.

Corremos e brincamos muito até que, para descansar um pouco, dirigi-me para a margem do riacho que coleava entre um pequeno bosque e os campos. Ali encontrei uma coisa que parecia uma pedra capaz de andar.

Era uma tartaruga.

Examinei-a com cuidado e quando me aproximei mais o estranho animal encolheu-se e fechou-se dentro de sua casca.

Foi o que bastou.

Imediatamente pretendi que ela devia sair para fora e, tomando um pedaço de galho, comecei a cotucar os orifícios que haviam na carapaça.

Mas os meus esforços resultavam vãos e eu estava ficando, como sempre, impaciente e irritado.

Foi quando meu pai se aproximou de mim.

Olhou por um instante o que eu estava fazendo e, em seguida, pondo-se de cócoras junto a mim, disse calmamente:

– Meu filho, você está perdendo o seu tempo.

Não vai conseguir nada, mesmo que fique um mês cotucando a tartaruga.

Não é assim que se faz.

Venha comigo e traga o bichinho.

Acompanhei-o e ele se deteve perto na fogueira que havia aceso com gravetos do bosque. E me disse:

– Coloque a tartaruga aqui, não muito perto do fogo.

Escolha um lugar morno e agradável.

Eu obedeci.

Dentro de alguns minutos, sob a ação do leve calor, a tartaruga pôs a cabeça de fora e caminhou tranqüilamente em direção a mim.

Fiquei muito satisfeito e meu pai tornou a se dirigir a mim, observando:

– Filho, as pessoas podem ser comparadas às tartarugas.

Ao lidar com elas procure nunca empregar a força.

0 calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que se aborreçam conosco e até, pelo contrário, com satisfação e espontaneidade.

Autor desconhecido

A TARTARUGA TAGARELA

Era uma vez uma tartaruga que vivia num lago com dois patos, muito seus amigos.

Ela adorava a companhia deles e conversava até cansar. A tartaruga gostava muito de falar. Tinha sempre algo a dizer e gostava de se ouvir dizendo qualquer coisa.

Um dia, uma prolongada estiagem secou o lago e os dois patos resolveram se mudar.
– Oh, não, não me deixem! Suplicou a tartaruga. – Levem-me com vocês, senão eu morro !
– Mas, como, se você não sabe voar?
– Levem-me com vocês! Eu quero ir com vocês! implorou a tartaruga.

Os patos ficaram com tanta pena que, por fim, tiveram uma idéia.
– Pensamos num jeito que deve dar certo, se você conseguir ficar quieta por um longo tempo. Cada um de nós vai morder uma das pontas de uma vara e você morde no meio. Assim, podemos voar bem alto, levando você conosco. Mas, cuidado, lembre-se de não falar! Se abrir a boca, você estará perdida.

E lá se foram eles. O tempo todo a tartaruga queria fazer algum comentário da viagem, mas, lembrava da sua delicada situação. Mas, quando passaram sobre a praça de uma aldeia, as pessoas olharam para cima e, muito espantadas, começaram a caçoar dos três amigos.
– Olhem que coisa esquisita, dois patos carregando uma tartaruga! (kkkk)

A tartaruga não agüentou a gozação e resolveu revidar o desaforo, mas, quando abriu o bico para xingar aquelas pessoas, caiu e se arrebentou em vários pedaços.

Até o tolo, estando calado, é tido por sábio.
Provérbios 17.28

Autor: Desconhecido

SURPREENDIDA PELO SEU ÍNTIMO

Escritor: Goncalves Andre Mataveia Junior

Era um belo dia, o sol fazia-se sentir intensamente, o vento soprava leve e lentamente, transportando para todos os cantos,flutuando pelos ares o suave perfume das flores que nessa tarde enfloreavam, para dar mais cor a aquela tarde de primavera.
Em algures da bela cidade de Maputo, onde o raiar do sol dava mais cor ao dia, vivia uma linda menina de pele negra e suave, a problemática TELMA.
Telma era uma menina que duvidara sempre da existência das tartarugas, e por mais que fossem existir, ela achava que fossem animais nojentos, sem graça e em fim, chilique de menina mimada. Todas as meninas de sua idade, tinham como animal de estimação uma tartaruga. Mas telma preferia lagartixas,tendo em conta que nem acreditava que tartarugas existiam.
De todas as vezes que pôde ganhar de presente uma tartaruga, ela despencou o presente. Mas nesse lindo dia de primavera, ela decidiu visitar seu pai, que vivia bem distante de sua zona.
Naquela bela tarde, ela conheceu um rapazito que de primeira ela detestou, e achou-o meio careta, era um rapazito que aparentava ser brincalhão, muito mimado, e sobre tudo muito feliz. Totalmente diferente da tão desconhecedora de si mesma,telma.
O rapazito tento, e com muita insistência,conseguiu ganhar a amizade e afeto de telma, e passados dois luares, os dois amigos tiraram a tarde para caminhar, eles passavam pela praia, e olhando para o mar, telma deparou-se com algo que ao longe brilhava, brilhava tanto que parecia uma barra de ouro. E visto que telma era uma menina bastante curiosa, Sem contar nada ao seu amigo, Decidiu mergulhar, E convidou seu amigo sem conta-lo o verdadeiro motivo do mergulho, e Alegou que a muito não ia à praia para mergulhar.
Sendo assim, Mergulharam. E quando telma conseguiu chegar bem próximo do que a levará a mergulhar, Para a sua surpresa, Era uma linda tartaruga. Com a carcaça demasiadamente brilhante.
Telma sentiu-se surpreendida com seu íntimo, Quando notou que já tinha a tartaruga em mãos e que já a dava carinhos.
Naquele momento, Ela sentiu vergonha de-si mesma, E de que seu novo amigo visse-a com a tartaruga em mãos. Então quando seu amigo aproximou-se dela, Ela escondeu a tartaruga. E o rapazito notou que ela o escondia algo, E com jeitinho, Convenceu-a a mostrar o que dele escondia.
Quando ele olhou para a tartaruga, Notou que era a mais linda que ele vira durante toda sua vida. Ficaram os dois deslumbrados, E decidiram adota-lá e cuidar dela. Pois notaram que ela precisava de ajuda. Ou terminaria por perder a vida.
Os dois amigos levaram-na junto. E ambos fizeram com muito carinho um recipiente com formato de uma caixa. Fizeram no de vidro. Colocaram-na na janela da casa da telma. E como o recipiente era feito de vidro. Era possível ver do outro lado da rua o quanto era bela a tartaruga. Toda gente que a visse. Notara o quanto era ela diferente das outras. e o quanto era bem cuidada. Foi passando o tempo e ela crescia rapidamente.
Telma e o rapazito. Faziam de tudo para manter a tartaruga viva e saudável. Eles alimentavam-a com tudo o que podiam. As vezes um deles desistia. Mas o outro fazia o possível para mesmo assim manter a tartaruga viva. E do nada deparavam-se Juntos a cuidar da tartaruga. Sempre que isso acontecia voltavam a cuidar dela com muita motivação.
Mas em uma tarde de céu nublado, em que os estrondos causados pelas rajadas de vento que se faziam sentir naquela tarde, Telma traiu seu amigo. E levou a comida destinada a tartaruga. E deu-a as lagartixas que criava com suas amigas (influencio-se).
Após isso. Ela desentendeu-se com seu novo amigo, e ele deixou que o problema passa-se sem danos, e perdoo a sua amiga telma.
Mas dali em diante, o clima já não era o mesmo, já não davam a tartaruga, alimentação regular e necessária para a sanidade dela. Era como se aos poucos se distanciassem da tartaruga, era como se estivessem a abandona-lá gradualmente.
O rapazito agia como se não fizesse diferença alguma, em alimentar ou não a tartaruga, por mais que ele negasse é o que se fazia sentir.
E telma por sua vez,parecia não se importar em manter a tartaruga viva. Telma perdeu totalmente a vontade de cuidar da tartaruga, e optou pelas lagartixas que criava com suas amigas, por mas que não fizesse parte da veracidade, é o que ela mostrava.
E ambos comportavam-se daquela forma pois a visão de desinteresse que um via no outro perturbava a ambos.
Os dois não viviam sem o brilho da carapaça da tartaruga, sem o prazer, a paz, e a felicidade que a existência da tartaruga os atribui-a. E eles não sabiam, se sabiam, fingiam não saber, e a tartaruga acabou por perder a vida por má alimentação.
E depois disso, quando ambos deram-se conta do que acontecera, virão suas vidas sem cores….
O sorriso era escasso em suas faces….

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